quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Então é Natal...


“O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz... Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:2,6)

Vivemos em um mundo conturbado, repleto de valores totalmente opostos aos supostamente pregados e trazidos a tona nessa época do ano, a grande mídia o chama de espírito do natal. O que seria isso?
Ora, Jesus nos foi enviado para, além de nos salvar e ser imolado como o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", nos servir de exemplo de vida! Esse lampejo de lembrança do que foi a vida desse homem que dividiu a história da humanidade, traz nesse período do ano algumas ações sociais imbuídas pelo chamado "espírito natalino". No entanto, como cristãos, somos chamados a muito mais que isso! Somos chamados a viver como Ele viveu, os 365 dias do ano, a sermos pacientes, bondosos, amorosos e, acima de tudo, viver para servir e ajudar o próximo, pois aí é onde reside o sentido da vida! Somos a imagem e semelhança de um Deus que é comunidade e só teremos plenitude quando nos voltarmos à nossa essência relacional, embora os valores desse mundo preguem o individualismo a todo custo, Jesus nos chama ao radicalismo do altruísmo! Esqueçamos o dinheiro, o poder, o status, a espiritualidade barata, a santidade de fachada, e nos voltemos para Ele, que foi tudo menos hipócrita e que viveu para nos mostrar como devemos viver, Ele que deve ser a essência de nossa adoração, o aniversariante do dia: Jesus! Isso é ser evangélico, pois Ele é o Evangelho, isso é ser cristão, pois quem se define assim, deve carregar consigo as qualidades Dele, Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz!



[Abaixo, texto escrito pelo Rev. Augustus Nicodemus e postado no Blog "O Tempora, O Mores"]


O Natal chegou e já me trouxe um problema. Após repassar a lista dos amigos e dos presentes de Natal que pretendo dar a cada um, sobraram quatro conhecidos e uma garrafa de vinho do Porto que eu trouxe de Portugal. Preciso escolher a quem deles vou dar a garrafa e é aqui que o problema começa, pois só poderei dar a garrafa a quem gosta de vinho, celebra o Natal e o faz pelo motivo certo, isto é, a encarnação do Filho de Deus, sua concepção virginal e nascimento – que é o verdadeiro sentido do Natal e a razão da celebração.

O problema é que um deles é liberal. Celebra o Natal como festa cultural, toma vinho, mas, como seu mestre Rudolf Bultmann, não acredita no milagre da concepção virginal de Jesus Cristo no ventre de Maria. Para Bultmann, o nascimento virginal de Jesus faz parte daquela estrutura mitológica da qual o Evangelho vem revestido, e que foi uma estória inventada pelos cristãos helenistas com base em estórias similares de reis e heróis que eram filhos das divindades com virgens (Die Geschichte der Synoptischen Tradition, 1970, p. 291-292). Este meu conhecido é fã do grande liberal americano, Harry Emerson Fosdick, por sua vez discípulo de Bultmann, que num sermão pregado na Primeira Igreja Presbiteriana de Nova York, 1922, afirmou que existe muita gente cristã honesta que “acha que o nascimento virginal não deve ser aceito como fato histórico, mas como uma das maneiras familiares pelas quais o mundo antigo expressava a superioridade incomum de algumas pessoas”. Ou seja, Jesus Cristo realmente não nasceu de uma virgem e seu nascimento foi igual ao dos demais seres humanos. Não vou dar uma garrafa de vinho, especialmente do Porto, a quem realmente não tem o que celebrar no Natal, a não ser o nascimento de um homem como outro qualquer.

O outro conhecido, por sua vez, é pentecostal. Ele crê na concepção miraculosa de Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo, celebra o Natal, mas não toma vinho. Para ele, a Bíblia ensina a total abstinência e considera pecado até um crente beber uma taça de vinho em família. Para mim, o que a Bíblia proíbe é a embriaguês e o escândalo, mas respeito a posição dele. Se eu lhe der a garrafa, vai se sentir provocado.

A coisa se complica ainda mais com o outro conhecido, que é neopuritano. Crê no milagre da concepção de Cristo no ventre de Maria, toma vinho, mas não celebra o Natal. Ele considera o Natal como uma festa apócrifa, de origem pagã e antibíblica; o dia 25 de dezembro era a data da antiga festa pagã da Saturnália e foi transformada pelo Imperador Constantino no Natal. Seria, então, um desperdício dar a ele essa excelente garrafa de vinho do Porto.

Restou o neo-ortodoxo. No caso, este conhecido é da linha de Karl Barth. Ele diz que acredita na concepção miraculosa de Cristo, como o famoso teólogo suíço, e portanto tem motivos para celebrar o Natal. Todavia, eu confesso que nunca entendi direito o que Barth quis dizer ao afirmar acreditar no nascimento virginal. Para ele, este nascimento virginal indica o caráter sobrenatural de Jesus, é um sinal do julgamento de Deus sobre a raça humana, pois a mesma não pode produzir seu próprio Redentor e também um sinal de que Jesus Cristo é um novo começo (Church Dogmatics, I, 2, 196, 181, 177, 188, 191). Mas, ele desconsidera um conseqüência importante do nascimento virginal, que é a impecabilidade de Cristo. Barth afirmava que Cristo assumiu uma natureza pecaminosa, decaída, corruptível, e que portanto, não era perfeito e sem pecado (Church Dogmatics, I, 2, 154). Por causa disto, e porque li em algum lugar que Barth jamais bebericou vinho em sua vida pois preferia cerveja (veja os comentários a este post), é que também não posso dar o Porto ao conhecido que é bartiano.

Só me resta tomar o vinho com minha esposa e brindar aos amigos que lêem nosso blog.

Saúde!

[PS: Eu de fato trouxe de Portugal uma garrafa de vinho do Porto, mas a situação descrita acima é fictícia]

domingo, 6 de dezembro de 2009

Desmistificando o Dízimo



Hoje em dia, a igreja evangélica vem sendo continuamente execrada publicamente, diante de absurdos cometidos pelas igrejas neopentecostais, principalmente no tocante ao dízimo, ou melhor, ao dinheiro em si, e, infelizmente, as igrejas tradicionais tem se calado, ante ao imperativo do ensino bíblico correto acerca da questão, talvez por medo de, uma vez libertos os fiéis dessa maldição(sim, maldição, pois quem se presta a querer cumprir novamente a lei, se põe debaixo de maldição, conforme Paulo expõe aos Gálatas), não terem mais recursos para fazer continuar a obra de Deus. Homens de pouca fé!
O primeiro relato do dízimo na Bíblia, remonta a Abraão, que dizimou como gratidão, parte de despojos de guerra, provavelmente como agradecimento pela graça de ter conseguido libertar seu sobrinho Ló. Note que foi uma atitude de gratidão, voluntária e pontual da parte de Abraão.
O segundo relato, diz respeito a um voto feito por Jacó, que prometeu em Gênesis 28:20-22 "Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; 21 E eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; 22 E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo". Novamente temos uma atitude pontual, através de um voto feito por Jacó, sem imposição nenhuma da parte de Deus.
Esses dois são os únicos exemplos de dízimos encontrados antes da Lei. Depois disso, o dízimo passou a fazer parte da Lei de Moisés e está previsto em Levítico 27:30, em Números 18:21 e em Deuteronômio 14:23 e 14:28. Esses relatos remontam ao pagamento do dízimos aos levitas, para festas e para os pobres. Ora, esses mandamentos estão intrinsecamente ligado ao fato de Israel ser uma teocracia, e o dízimo seria uma espécie de imposto para pagar os trabalhadores governamentais(levitas), financiar as festas do Estado, bem como, promover a assistência social. Se for pra fazer uma aplicação da Bíblia aos nosso dias, você já estaria pagando o dízimo ao Leão todo ano, no seu imposto de renda, e olhe que ele cobra bem mais que 10%!
Afora isso, tem o emblemático texto do profeta Malaquias 3:8-12, amplamente usado nas igrejas, que diz "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. 9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. 10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. 11 E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. 12 E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos." Todo esse texto é baseado na vigência da lei mosaica, que foi cumprida em Jesus, logo NÃO É ATUAL. Se fosse, a parte das "ofertas" deveria ser cumprida e, nesse caso, Malaquias está se referindo, dentre outras, a ofertas de sacrifícios de animais. Logo, se Malaquias é aplicável a hoje, comecemos a levar galinhas pretas pra nossos pastores sacrificarem nas igrejas! Que tal?
O dízimo não é prática aplicável a igreja nos dias atuais, é prática da lei. A lei se divide em três espécies: política, cerimonial e moral. A lei política era dada ao povo de Deus como cidadãos do Estado de Israel, o que não é nosso caso; a lei cerimonial apontava para Jesus e foi cumprida Nele; a lei moral, subsiste aos nosso dias, desde que confirmada no Novo Testamento. A prática de dizimar não é neotestamentária, hoje em dia vige o conselho de Paulo: "Deus ama quem dar com alegria". Então, se você der 2% do seu salário com alegria, Deus se agradou de sua atitude! Já aquele que dizimou 10% por obrigação, não fez nada aos olhos de Deus. Sem contar os casos de pessoas que mal conseguem viver com seus salários, sendo levadas a ainda tirar 10% dos seu salário mínimo para dar a igreja! Em uma realidade bíblica, essas pessoas receberiam dinheiro dos outros membros, ao invés de darem parte do seu parco salário! Isso é um crime cometido em 99,9% de todas as igrejas evangélicas do país!
Gostaria de concluir dizendo que esse artigo não é um convite ao pão-durismo! Se você congrega em alguma igreja séria, ajude no sustento dela, na medida que você acha razoável para pagar as despesas do local, pois Paulo mesmo afirma que não devemos fechar a boca do boi enquanto ele debulha as sementes, isto é, usufruir de algo que o boi(a igreja) proporciona, sem deixar que ele coma algumas sementes, bem como, não se esqueça que sua religião, segundo Jesus é "ajudar os órfãos e as viúvas nas suas necessidades", logo, ache quem são seus órfãos e suas viúvas, se são meninos de rua, se são presidiários, se são idosos carentes, e os ajude periodicamente! Esse comportamento é muito mais agradável aos olhos de Deus, que a ordenança de dar os mecânicos 10% à uma igreja e achar que está cumprindo com sua obrigação! Isso é patético! Não decaia da graça, não se ponha debaixo de maldição, seja liberto, no nome de Jesus, sacrifício DEFINITIVO E PERFEITO aos olhos de Deus!