Continuando o destaque no ensino da doutrina bíblica, gostaria de trazer o foco para um outro ponto: a contemporaneidade dos dons extraordinários. Para ser mais claro, queremos discutir se, ainda hoje, existem pessoas dotadas com um poder especial exclusivo, proveniente da parte de Deus, para revelar/profetizar, curar/realizar milagres ou falar/interpretar línguas estranhas e, afirmando que os mesmos cessaram, expor os motivos pelos quais, mesmo narrados na Bíblia, não estão mais presentes nos tempos hodiernos.
Em primeiro lugar, tratemos do dom de línguas. Bem, o mesmo foi verificado no derramar do Espírito em Pentecostes, quando os discípulos começaram a falar línguas nativas de vários povos! Ora, o dom, conforme podemos interpretar facilmente, serviria para a propagação do Evangelho para todas as nações, bem como para atestar a universalidade dos planos de Deus, logo, tendo um objetivo inicial, finito, isto é, o início da difusão do cristianismo pelo mundo, passado esse momento introdutório, cessa-se o dom. Logo, as línguas ininteligíveis que vemos sendo faladas hoje, não tem respaldo bíblico, nem são línguas de anjos, visto que, quando Paulo cita essa expressão, o mesmo está a falar em uma linguagem nitidamente hiperbólica, bem como, o mesmo afirma falar "muito mais línguas que todos vocês", mas porque quando fala em língua de anjos pontua "ainda que eu FALASSE"? Quer dizer que ele mesmo não falava? E logo, os que hoje dizem falar, segundo sua doutrina, seriam "mais espirituais" que o próprio apóstolo? Ademais, quando vemos narrado a comunicação com anjos na Bíblia, temos uma comunicação em linguagem humana.
O segundo passo refere-se aos dons de conhecimento e profecia. Hoje, Deus nos fala através de Sua Palavra, a Bíblia, que já está posta e perfeitamente acabada, logo, não há mais necessidade de revelar-se de outra maneira, pois revelou-se de maneira máxima em Jesus, que por sua vez é revelado através das Escrituras; antigamente havia a necessidade de revelar-se, pois Cristo não havia estado ainda entre nós, bem como, posteriormente, a Bíblia não havia sido finalizada, com o Apocalipse. É o que nos demonstra facilmente Hebreus 1:1: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho...”. Ademais, a palavra "profecia" em grego, quer dizer literalmente, "aquele que fala segundo a palavra de Deus", logo, se a palavra de Deus hoje, como sabemos, é a Bíblia, aquele que a explica, sem desvios, é que será o genuíno profeta, caso queiramos insistir em aplicar o termo atualmente.
Por fim, tratemos dos mais extraordinários dons, os de operação de milagres e cura. Bem, pela sua peculiaridade e grandeza, esses dons eram derramados apenas para confirmação da pregação inicial do Evangelho, bem como, em outras partes da história do povo de Deus, para confirmar a veracidade do testemunho de algum líder que teria um papel crucial e determinante, em algum novo mover histórico de Deus, como aconteceu com os prodígios de Moisés, visto que, o mesmo iria escrever os primeiros livros das Escrituras, bem como, conduzir toda uma nação, necessitando de um atestado visível que Deus verdadeiramente o outorgara todas essas funções, algo que não ocorre mais atualmente, visto que vivenciamos o fim dos tempos e tudo nos já foi devidamente revelado, através da Bíblia. "Esses sinais especiais atestavam a pregação da nova mensagem e removiam qualquer pretexto de dúvida ou incredulidade de quem estava ouvindo. Foi exatamente o que aconteceu com João Batista quando encarcerado e em momento de dúvida e angústia, foi confortado por Jesus quando mandou lhe dizer: "... Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho." (Mt. 11: 4-5). Por isso, Paulo foi capaz de afirmar: "Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo..." (1 Ts. 1:5). Esse poder foi manifestado freqüentemente através dos apóstolos quando muitos eram curados de suas enfermidades, ressuscitados e libertos da opressão e possessão demoníaca. O evangelho, as boas novas, era algo novo, uma mensagem nova para aquele povo que não reconheceram o Seu Messias; ainda não tinha o Novo Testamento sido escrito. A confiança dava-se na palavra falada dos apóstolos (a mensagem proclamada), e por isso aprouve a Deus confirmar a pregação de seu evangelho através de sinais e maravilhas. Em Atos 5:12 lemos que "muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos" e quando questionado sobre sua autoridade apostólica, Paulo responde que "os sinais de meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas." (2 Co. 12:12). Portanto, no meio deles, da igreja e do povo em geral, Deus estava confirmando o ministério dos apóstolos, validando suas pregações e ensinamentos através dos sinais, dos milagres, curas e expulsão de demônios. Podemos, então, concluir claramente que Deus destinou esses dons aos apóstolos e poucas outras pessoas no início da igreja".
Concluo dizendo o seguinte: esses dons cessaram SIM, no entanto, isso não quer dizer que Deus, segundo Sua SOBERANIA, não possa usar alguém(ou mesmo um jumento) para trazer uma palavra(extremamente pontual) a outrem, no entanto, isso não irá fazer da pessoa um profeta; da mesma forma que Deus pode usar alguém para orar e, através dela, derramar cura sobre alguma pessoa, por outro lado, da mesma forma, isso não fará daquela pessoa uma "curandeira". Isso não existe! E lembrem-se, nos últimos tempos Satanás se travestirá de anjo de luz para, se possível, enganar até os eleitos, portanto, apeguem-se a ela, única e última fonte de revelação e poder para os últimos tempos: A Palavra de Deus, A Bíblia, e rejeitem toda forma estranha à sã doutrina e que não tem respaldo, nem bíblico-teológico, nem na história da igreja. Como já dizia Calvino: "A Bíblia é o árbitro do Espírito".


