
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João 3:16
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” 1 João 2:15
Um ateu leria e diria: eu não disse? Cadê essa história de texto inspirado? O cara diz que Deus amou o mundo, depois diz que não é pra você amar, cadê a lógica disso? Bem, procuraremos responder não só a esse questionamento, mas entrar em uma polêmica vivida em qualquer meio evangélico atual, o qual prefere esquecer do amor de Deus pelo mundo, pregando um Deus inquisidor, ao mesmo tempo que sai recitando o segundo versículo, como um mantra farisaico.
Ora, obviamente, o apóstolo João quando repete a mesma palavra, no evangelho e na epístola, não está falando de mundo no mesmo sentido. O mundo que Deus amou e ainda ama é o mundo formado de gente, de carne e osso, de pecadores carentes de seu amor e da graça imerecida, porém já DEFINITIVAMENTE conquistada por Jesus na cruz. Esse é o mundo que Deus ama e nos convida a amar também, apesar de, corriqueiramente, e ainda invocando o Salmo 1(de uma forma exegeticamente esdrúxula), buscarmos nos afastar do que intitulamos “mundo de ímpios”, “roda de escarnecedores”, quando, na verdade, agindo dessa maneira, nós que estamos sendo os “ímpios”, que nada mais é que “pessoas sem piedade”, bem como os próprios escarnecedores que, para Jesus, eram os que sentavam nas rodinhas legalistas dos templos judeus.
Mas então, que mundo devemos odiar? A resposta está em Paulo, ele explica com a seguinte expressão “curso deste mundo”, isto é, os valores presentes no mundo, não o mundo em si. Estamos a tratar do aspecto espiritual e não da materialidade, ou seja, a própria construção de Deus. Eu posso estar em uma boate, ou seja, no mundo, dançando, me divertindo, sem estar entregue ao “curso deste mundo”, a saber, sem os valores de “tem que beber até cair”, “tem que pegar todas quantas puder”, “tem que arrumar uma pra ir pro motel depois”, e ainda, ali mesmo, praticar o amor ao mundo que Deus ama, por exemplo, oferecer carona a meu amigo embriagado, para que ele não cometa um acidente etc. Veja bem, Deus deu um tratado cultural ao homem para "transformar" sua criação, gerando maravilhas como o cinema, a música (e os shows!), o teatro etc., quando fugimos dessas coisas, estamos indo contra Jesus, que pede que não estejamos fora do mundo, mas no mundo, do contrário, seremos sal sem sabor, que não serve para nada, agimos colocando nossas candeias em baixo da mesa e limitando o agir de Deus através de nossas vidas por meros preconceitos banais, potencializados pela irresponsabilidade dos nossos mestres, que seriam chamados por Jesus de “raça de víboras” e “sepulcros caiados”, chegando, sem sombra de dúvida, a crucificarem-no novamente, assim como fazem com suas “ovelhas” que se desgarram das suas garras afiadas de lobos e rumam a cumprir o que Paulo ensina “sede meus imitadores, como eu sou de Cristo”.
Sei que muitos, vencidos pela exposição bíblica, recorrerão ao novo bordão dos fariseus, que mudam seus meios para continuarem alcançando seus fins legalistas, “vai causar escândalo”. Sobre esse tema escreverei na próxima postagem, buscando desmistificar o assunto à luz do real significado do mesmo nas Escrituras.

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