sábado, 7 de novembro de 2009

A Evolução do Pensamento Fariseu: Do Legalismo aos Escândalos



Hoje em dia, praticar legalismos e ascetismos abertamente não é mais tão bem aceito, principalmente depois que a “massa de manobra” evangélica, um tanto acéfala, começou a criar consciência e atender ao chamado de Davi, em seu Salmo 32: “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio...”. Assistimos televisão, temos bateria nos altares e, pasmem, as mulheres usam calça! Bricadeiras a parte, voltemos ao texto...
Para situar o leitor, vou recorrer ao Dr. Hernandes Dias Lopes, pastor presbiteriano, para definir o que seja legalismo e ascetismo. Segundo ele, o primeiro é algo “mascarado de profunda espiritualidade, é uma negação da verdadeira fé cristã. Ele põe sua atenção em formas, ritos e cerimônias em vez de focar-se na Pessoa e obra de Cristo. Ele está mais preocupado com a aparência, do que com a essência. Dá mais atenção ao método que ao conteúdo”, trocando em miúdos e em uma alusão à última postagem, é aquele cara que não vai pra boate nem pro barzinho, porque é pecado, mas está completamente entregue ao “curso deste mundo”, mesmo sem arredar o pé da igreja; na perfeita definição de Jesus, um “sepulcro caiado”. Já o segundo, é definido como “a privação de coisas legítimas com o fim de agradar a Deus. O ascetismo pensa que a santidade tem a ver com o nosso esforço de privar-nos das coisas que Deus criou. Na busca dessa espiritualidade auto-construída muitos se flagelam; outros castigam seu corpo com escassez de pão e ainda outros fogem para mosteiros. O cerne do ascetismo constitui-se em: ‘Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro’ (Cl 2.21). O apóstolo Paulo diz que esse rigor ascético é preceito e doutrina de homens, é culto de si mesmo e falsa humildade e não tem valor algum contra os impulsos da carne (Cl 2.22,23)”, ou seja, esse cara já entendeu que não é pecado ir a boate ou o barzinho, mas mesmo assim, e apesar de gostar de sentar em uma mesa de bar com amigos, ao som de uma boa música, em um sábado a noite, continua se negando a ir e o faz acreditando piamente que é um esforço de santificação, o tornando muitas vezes um orgulhoso, decaindo da graça e voltando para as obras. Ele repete sempre, mas de maneira exegeticamente inaplicável: “é lícito, mas não me convém”. Nesse verso de 1 Coríntios, conforme se extrai do Novo Comentário da Bíblia, “Paulo mostra [apenas] que o princípio de liberdade, apresentado no vers. 12, não se aplica a coisas definidamente ruins em si mesmas”, como por exemplo, usar drogas, fato que pode ser ratificado pelo trecho “não se deixar dominar por elas”, não sendo, portanto, um convite ao ascetismo, pois se assim fosse, o apóstolo estaria se contradizendo.
Sim, mas o que é que isso tudo tem haver com escândalo? Bem, essa é a evolução do pensamento fariseu, buscando argumentos melhores para continuar impondo os “cabrestos e freios”. Primeiro ele dizia que é pecado (legalista), aí chove contra ele todo o ensino anti-legalista de Jesus e de Paulo, depois que não convém (ascético), aí um leitor mais cuidadoso apresenta a Carta de Paulo aos Colossenses e, por fim, ele diz “causa escândalo” e atinge o objetivo de deixar você cheio de culpa e remorso, algo tipicamente demoníaco. Mas o que a Bíblia nos ensina sobre o escândalo?
Bem, basicamente ela nos ensina a não escandalizar (no sentido tratado no texto, isto é, praticando coisas “lícitas”) um grupo, Jesus fala “os pequeninos”; Paulo fala “os fracos na fé”. Agora eu pergunto, essas atitudes que nos convencem de que causa escândalo, tem causado escândalo a quem? Aos “pequeninos” ou aos “manipuladores”? Ora, irmãos, mutatis mutandi, Jesus foi mestre em escandalizar da forma correta, ele estava sempre presente na festa dos ditos pecadores, comendo e bebendo com eles, ao ponto de ser chamado “glutão” e “beberrão” por aqueles que se escandalizavam com ele e querem convencer você de que se fores iguais a Ele, vais escandalizar. Mas escandalizar quem? Os fracos? Os pequeninos? NÃO! O que se vê na prática é o escândalo apenas entre os mestres da lei, do ensino legalista, ascético, mascarado sob o argumento “vai escandalizar”; com relação a eles, causar escândalo é assemelhar-nos a Cristo, portanto, primeiro verifique quem está se escandalizando e depois atenda a Paulo, seja imitador de Jesus!

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