
“O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz... Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:2,6)
Vivemos em um mundo conturbado, repleto de valores totalmente opostos aos supostamente pregados e trazidos a tona nessa época do ano, a grande mídia o chama de espírito do natal. O que seria isso?
Ora, Jesus nos foi enviado para, além de nos salvar e ser imolado como o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", nos servir de exemplo de vida! Esse lampejo de lembrança do que foi a vida desse homem que dividiu a história da humanidade, traz nesse período do ano algumas ações sociais imbuídas pelo chamado "espírito natalino". No entanto, como cristãos, somos chamados a muito mais que isso! Somos chamados a viver como Ele viveu, os 365 dias do ano, a sermos pacientes, bondosos, amorosos e, acima de tudo, viver para servir e ajudar o próximo, pois aí é onde reside o sentido da vida! Somos a imagem e semelhança de um Deus que é comunidade e só teremos plenitude quando nos voltarmos à nossa essência relacional, embora os valores desse mundo preguem o individualismo a todo custo, Jesus nos chama ao radicalismo do altruísmo! Esqueçamos o dinheiro, o poder, o status, a espiritualidade barata, a santidade de fachada, e nos voltemos para Ele, que foi tudo menos hipócrita e que viveu para nos mostrar como devemos viver, Ele que deve ser a essência de nossa adoração, o aniversariante do dia: Jesus! Isso é ser evangélico, pois Ele é o Evangelho, isso é ser cristão, pois quem se define assim, deve carregar consigo as qualidades Dele, Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz!
[Abaixo, texto escrito pelo Rev. Augustus Nicodemus e postado no Blog "O Tempora, O Mores"]
O Natal chegou e já me trouxe um problema. Após repassar a lista dos amigos e dos presentes de Natal que pretendo dar a cada um, sobraram quatro conhecidos e uma garrafa de vinho do Porto que eu trouxe de Portugal. Preciso escolher a quem deles vou dar a garrafa e é aqui que o problema começa, pois só poderei dar a garrafa a quem gosta de vinho, celebra o Natal e o faz pelo motivo certo, isto é, a encarnação do Filho de Deus, sua concepção virginal e nascimento – que é o verdadeiro sentido do Natal e a razão da celebração.
O problema é que um deles é liberal. Celebra o Natal como festa cultural, toma vinho, mas, como seu mestre Rudolf Bultmann, não acredita no milagre da concepção virginal de Jesus Cristo no ventre de Maria. Para Bultmann, o nascimento virginal de Jesus faz parte daquela estrutura mitológica da qual o Evangelho vem revestido, e que foi uma estória inventada pelos cristãos helenistas com base em estórias similares de reis e heróis que eram filhos das divindades com virgens (Die Geschichte der Synoptischen Tradition, 1970, p. 291-292). Este meu conhecido é fã do grande liberal americano, Harry Emerson Fosdick, por sua vez discípulo de Bultmann, que num sermão pregado na Primeira Igreja Presbiteriana de Nova York, 1922, afirmou que existe muita gente cristã honesta que “acha que o nascimento virginal não deve ser aceito como fato histórico, mas como uma das maneiras familiares pelas quais o mundo antigo expressava a superioridade incomum de algumas pessoas”. Ou seja, Jesus Cristo realmente não nasceu de uma virgem e seu nascimento foi igual ao dos demais seres humanos. Não vou dar uma garrafa de vinho, especialmente do Porto, a quem realmente não tem o que celebrar no Natal, a não ser o nascimento de um homem como outro qualquer.
O outro conhecido, por sua vez, é pentecostal. Ele crê na concepção miraculosa de Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo, celebra o Natal, mas não toma vinho. Para ele, a Bíblia ensina a total abstinência e considera pecado até um crente beber uma taça de vinho em família. Para mim, o que a Bíblia proíbe é a embriaguês e o escândalo, mas respeito a posição dele. Se eu lhe der a garrafa, vai se sentir provocado.
A coisa se complica ainda mais com o outro conhecido, que é neopuritano. Crê no milagre da concepção de Cristo no ventre de Maria, toma vinho, mas não celebra o Natal. Ele considera o Natal como uma festa apócrifa, de origem pagã e antibíblica; o dia 25 de dezembro era a data da antiga festa pagã da Saturnália e foi transformada pelo Imperador Constantino no Natal. Seria, então, um desperdício dar a ele essa excelente garrafa de vinho do Porto.
Restou o neo-ortodoxo. No caso, este conhecido é da linha de Karl Barth. Ele diz que acredita na concepção miraculosa de Cristo, como o famoso teólogo suíço, e portanto tem motivos para celebrar o Natal. Todavia, eu confesso que nunca entendi direito o que Barth quis dizer ao afirmar acreditar no nascimento virginal. Para ele, este nascimento virginal indica o caráter sobrenatural de Jesus, é um sinal do julgamento de Deus sobre a raça humana, pois a mesma não pode produzir seu próprio Redentor e também um sinal de que Jesus Cristo é um novo começo (Church Dogmatics, I, 2, 196, 181, 177, 188, 191). Mas, ele desconsidera um conseqüência importante do nascimento virginal, que é a impecabilidade de Cristo. Barth afirmava que Cristo assumiu uma natureza pecaminosa, decaída, corruptível, e que portanto, não era perfeito e sem pecado (Church Dogmatics, I, 2, 154). Por causa disto, e porque li em algum lugar que Barth jamais bebericou vinho em sua vida pois preferia cerveja (veja os comentários a este post), é que também não posso dar o Porto ao conhecido que é bartiano.
Só me resta tomar o vinho com minha esposa e brindar aos amigos que lêem nosso blog.
Saúde!
[PS: Eu de fato trouxe de Portugal uma garrafa de vinho do Porto, mas a situação descrita acima é fictícia]

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